domingo, 19 de outubro de 2008

Gay em cidade pequena

Meu nome é Marcel, tenho 22 anos e moro no interior do Paraná.

Estarei aqui partilhando várias experiências como esta de ser gay em cidades pequenas. Afinal não é em todos os lugares que os gays desfrutam de bares, boates, grupos de apoio ou qualquer coisa que permita uma vivência aberta de sua sexualidade sem medo de recriminação – e sempre que eu falar em gay na coluna, incluem-se aí lésbicas, bissexuais e transgêneros.

[caption id="attachment_222" align="alignleft" width="150" caption="Gay em Cidade Pequena"]Gay em Cidade Pequena[/caption]

Muitos de nós, internautas que acessam a TVTudo.com e outros sites, moramos em lugares assim e, por várias vezes, vemos-nos perdidos, com o sentimento de que somos os únicos gays em nossa cidade e sem saber o que fazer ou com quem falar.

O que fazer então?

Não sei exatamente. Afinal não existe uma fórmula mágica. Mas acredito que posso contar um pouco de minha história e assim, criar identificações com outras pessoas que passam por problema parecido.

Quando comecei a perceber que era gay e que não tinha como fugir disso (na época encarava minha homossexualidade como um fato negativo), comecei a revirar a Internet atrás de sites que falassem do tema.

Essa experiência mostrou um “mundo gay” paralelo ao meu, habitado pelo pessoal das grandes cidades que se reunia nas baladas GLS nos finais de semana ou então para animados encontros em parques.

A cada dia crescia a vontade de estar na pele de algum deles, morar também em cidade grande, onde sejamos anônimos e a população seja um pouco mais favorável à homossexualidade – se bem que esse é um fator que varia bastante e não depende muito de cidade.

As coisas iam acontecendo e meu pensamento a mil.

Muitos questionamentos, muitos anseios. Nessa época, graças ao apoio de muita gente que se correspondia comigo, contei à minha família que era gay. Foi um dia que marcou uma reviravolta na minha vida, iniciou-se uma fase dolorida, marcada por lágrimas, mas que me enchia de alegria.

Continuei trilhando meu caminho, assumindo para um amigo e outro, de forma que hoje posso dizer que praticamente todos os amigos que convivem comigo sabem, além de muitas pessoas de meu emprego.

Quais foram as reações? Apoio, respeito e admiração.

Percebi que posso muito bem viver a minha sexualidade de forma sadia em uma cidade pequena, com certas limitações mas sem esconder-me atrás de uma fachada de “machinho”.

Essa minha decisão de assumir a homossexualidade já me rendeu muitas histórias. Muito tenho a falar, mas não vou fazer da minha primeira coluna um livro. Aos poucos vamos conversando e trocando idéias.

Portanto, até o próximo mês, sintam-se a vontade para escrever, opinando sobre minha coluna e também dando sugestões de abordagem dentro ou fora deste tema.

Afinal, você também mora no interior e se sente o único homossexual em sua cidade?

Acho que as coisas podem mudar. Se não fora, dentro de nós mesmos para que assim possamos viver e exercer nossa sexualidade satisfatóriamente dia após dia.

Marcel Guérios (Texto publicado originalmente em 2005 na TVTudo.com)
mguerios@ibest.com.br

2 comentários:

  1. oi tenho 17 anose moro em uma cidade muito pequena e como vc falou em seu post,eu pareço ser a unica pessoa q gosta d pessoas mesmo sexo, nunca fiquei com meninas ms acho que gosto pois depois d um tempo percebi q comecei a olha-las d um jeito diferente de desejo, contei para alguns amigos eles me apoiaram d cara.
    uma vz uma menina pedui pra fikar comigo ms eu tive um certo medo sei la,e tinhameus amigos q nao sabem disso entao falei pra menina q nao, me arrependo até hoje por nao ter dito sim.
    eu nao sei oq eu faço ainda estou com essa duvida as vezes fico até com raiva dmim mesma, ms como aki é cidade pequena nao tem isso (eu acho). estou muito impaciente esperando alguma menina pra fikar comigo, ms nao sei como saber se a menina esta afim ou nao e nem como chegar em uma, me ajudem por favorrrr.
    abraços...

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