segunda-feira, 10 de maio de 2010

Gays jovens e a matéria da revista Veja

revistaveja-Ser-jovem-e-gay-A-vida-sem-dramasPelo jeito já virei referência quando o assunto é "saída do armário" e suas derivações. Quando a matéria da Veja saiu "Ser jovem e gay - A vida sem dramas" (leia aqui) meu twitter lotou de mensagens citando @fabricioviana para que eu desse uma lida.

Antes, eu tinha lido uma nota do blog do André Fischer (leia aqui) e também um artigo do Marcelo Hailer (leia aqui)  algumas críticas sobre a matéria. Concordo com os dois em algumas partes. Afinal, também achei a matéria super positiva mas um pouco distante da realidade de grande maioria! Quando estudantes (geralmente de jornalismo) entram em contato comigo o assunto deles, antes mesmo de eu falar algo, sempre gira em torno do tema: "o preconceito não mais existe", "hoje está todo mundo se assumindo", "as coisas estão bem melhores do que antes", "o mundo é outro", e bla bla bla. Até eu me assusto. A impressão que dá é a de que, mesmo jornalistas formados e trabalhando em conhecidos veículos, quando aparece a pauta sobre a homossexualidade, eles começam a visitar vários sites, blogs e matérias na Internet, pegam um coisa aqui, outra ali e pronto: A VIDA É BELA E MARAVILHOSA! Todo mundo se assumindo, todo mundo mostrando a cara e por ai vai. Como o Hailer disse no texto dele, um adolescente de 14 anos se matou durante uma das matérias do Profissão Repórter no ano passado. Ele era gay e afeminado.

O que eu sempre digo é que as coisas mudaram mas não estão nem próximos do ideal. E por isso que os jovens não estão nem ai para a militância na parada gay, eles não tem nem ideia - e nem conhecimento intelectual - da sociedade como um todo. Como um antigo artigo do Gui Tronolone, a parada gay traz milhões a rua. Mas são milhões de "alienados" como a maioria da população. Logo, a matéria da Silvia Rogar e do Marcelo Bortoloti esta ótima em termos de visibilidade e positivismo (e é raro encontrarmos matérias assim, "positivas"). Mas isso ocorre a uma parcela pequena da população (e, geralmente, em grandes metrópoles).  Tanto que, dos 1.000 livros vendidos pelo site www.oarmario.com (meu livro sobre a homossexualidade e "saída do armário"), eu me recordo de apenas de dois ou três comentários positivos deixados no formulário de pedido. A maioria, esmagadora, eram de histórias sobre os dramas da vida homossexual! E de situações "dentro do armário".

Alias, eu achava que todos que lessem meu livro iriam optar por uma vida mais "liberta", se assumindo e vivendo 100% seus desejos e aspirações pessoais (lá eu não digo para se assumir ou não, mas mostro o "melhor caminho" com seus espinhos e flores). Mas nem assim esse lance de se assumir acontece com todos! E, claro, tem explicação: como eu disse a um paciente na época da faculdade (hoje eu não tenho consultório, trabalho na área de TI), não adianta nada você ter conhecimento intelectualizado sobre a neurose, conflitos internos, etc, pois SÓ isso não resolve! O lance é EMOCIONAL. Você com você mesmo! Um nó afetivo, por exemplo, só será desfeito após uma explosão emocional repentina e espontânea. Ou você consegue isso sozinho (praticamente impossível) ou com a ajuda de um terapeuta (por isso eles existem!).

Então, mais uma vez, o lance de se assumir relatado na revista Veja é ótimo mas esta bem distante da realidade de muitos! Suspeito, inclusive, que os personagens foram escolhidos a dedo. Mas enfim, vou ficar apenas com a imagem positiva que a matéria nos mostra. Mesmo porque, e me lembrei agora, daquele pai que deu uma arma para o filho (na Bahia) e disse: ou você vira homem, ou você se mata!

Sim, ainda temos muuuuuuuuuuuuito disso. Infelizmente.

Abs,
Fabrício

Ps: aproveitando o post e a referência do assunto (risos), coloquei - finalmente - os vídeos dos programas de TV (Ana Maria Braga, Mulheres Dez, Fantástico, Manhã Gazeta, etc) que fui falar sobre a homossexualidade e saida do armário no meu site pessoal, o link direto da página de vídeos é: http://fabricioviana.com/videos/

3 comentários:

  1. Gostei demais da matéria da Veja. Me pareceu que ela lembra aos pais, claro como a luz do dia e dois holofotes na mão, que o que está em jogo é felicidade de seus filhos.

    Essa geração de adolescentes ainda carrega o ônus de serem eles a arrombar o armário. De abrir por dentro essas portas. De enfrentar o preconceito do lado de fora, na sala de jantar da própria casa, preconceito que ainda existe claramente visível na matéria.

    Eu penso que com a matéria da Veja, seus leitores pais, o grupo mais esclarecido da sociedade, estão agora obrigados a tomar a iniciativa de, eles próprios se anteciparem à abertura do armário. Afinal, os pais conhecem melhor seus filhos e desde o nascimento, melhor que as próprias crianças e adolescentes se conhecem.

    Então, a questão "sair do armário", uma responsabilidade que em última instância é realmente do trancafiado, passou também a ser problema de quem tem esse armário dentro de casa e sabe que lá dentro existe um ser humano que não pode ver a luz do sol porque não tem força o bastante para abrir a porta. E esse ser humano é o filho do dono do ármario.

    A matéria da Veja passou a bola para os pais. Isso não é bom?

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  2. Miguel Araujo Castro16 de maio de 2010 04:03

    Essa matéria da SUJÍSSIMA Veja é muito suspeita... Essa revista sempre foi preconceituosa.... imagino que eles estejam querendo "bajular" os gays... quem sabe assim, eles escapam da falência.

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  3. Anacarolina Carvalho Pires18 de agosto de 2011 14:22

    sou afavo da pessoa ser filez independeti da saua escolha sexual

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