sábado, 4 de abril de 2015

Literatura Lésbica: Entrevista com a escritora Karina Dias

[caption id="attachment_186" align="aligncenter" width="345"]literatura-lesbica Escritora Karina Dias - Foto Divulgação[/caption]

Alguns não gostam desta expressão, mas, outros (e nós nos incluímos) entendemos como literatura lésbica um conjunto de livros cuja temática principal envolvem mulheres que gostam de mulheres, independente da orientação sexual de seus autores ou de como eles mesmos classificam seus livros. A Karina Dias é uma destas autoras que, felizmente, tem vários livros publicados dentro do que chamamos de "literatura lésbica". Vamos ver o que ela nos disse nesta entrevista? Espero que curtam tanto quanto nós curtimos!


literatura-lesbicaKarina, primeiramente obrigado por aceitar nosso convite. Sua carreira literária começou em 2009 com o lançamento do livro Aquele dia junto ao mar. Como foi esta experiência? Quanto tempo demorou para escrever e como foi seu processo de buscar uma editora?


Desde 2006 eu escrevia em um site do Terra que era voltado somente para romances entre mulheres. O livro foi resultado de uma história chamada No Ritmo do Amor, na época, bem sucedida na internet. Nesse site eu escrevia os capítulos no dia das postagens, levei, aproximadamente, seis meses para concluir a história.


A busca pela editora foi, digamos, uma sorte danada. Rs. Conheci as sócias da Editora Malagueta em uma mesa de literatura na USP, em 2008. Enviei o original para elas e foi aprovado. Fiquei muito feliz.


Como foi a repercussão do livro Aquele dia junto ao mar pelas lésbicas? Elas gostaram da obra? Te assediaram muito?


A repercussão deste livro ainda é muito positiva, sempre recebo e-mails ou mensagens no Facebook de alguém contanto a experiência de ter lido a história. Esse carinho das meninas não tem preço. O livro é considerado o best seller da Editora Malagueta, está entre os preferidos das leitoras. Fomos para a terceira tiragem ano passado. Só agradeço a todos que adquiriram um exemplar e comentaram a respeito. Saber o que as leitoras acham das histórias é muito importante sempre.


Em 2012, com 184 literatura-lesbica-2páginas, você laçou o livro Diário de uma garota atrevida. Seu segundo livro também voltado para "mulheres que amam" mulheres. Quanto tempo levou para escrever e porque optou pela mesma editora?


Esse livro foi uma delícia de escrever. Foi sugestão da Júlia, filha querida de uma leitora que é muito minha amiga, a Angélica. A história começou a se desenhar na minha cabeça de uma forma tão surpreendente que eu a escrevi em um mês. Optei pela Editora Malagueta, primeiro porque eu tenho muita confiança no trabalho da Laura Bacellar, grande editora de livros, segundo, porque é a única editora da América Latina com publicações exclusivas de mulheres que amam outras mulheres.


A Editora Malagueta é uma editora focada em mulheres lésbicas, seu livro foi lido por outro tipo de público? Recebeu outros relatos? O que tem a dizer da Malagueta?


Sim, tenho muitos leitores heterossexuais e gays masculino. Fico muito feliz em saber que são meus leitores também. Os relatos são ótimos, geralmente as pessoas me dizem “nossa, a vida é igual a minha, só muda um detalhe, com quem as personagens se relacionam sexualmente”. Acho importante mostrar nas histórias o cotidiano de mulheres que amam outras mulheres, mas que têm uma vida como todas as pessoas. Nem melhor, nem pior do que a de ninguém; vida simplesmente. Só tenho a agradecer a Malagueta. Além da relação de trabalho, temos uma relação de amizade e esses laços foram muito fortalecidos, principalmente quando conversei com elas sobre a minha ideia de publicar independente. Tive todo o apoio possível.


literatura-lesbica-3Em 2014, você lançou uma produção independente chamada As Rosas e a Revolução, com 352 páginas. Esse livro fala sobre o quê?


O livro As Rosas e a Revolução relata o romance entre duas mulheres durante a ditadura militar brasileira, mas quem ler a história vai encontrar o amor nas suas mais variadas formas, como é na sociedade em que vivemos. O livro começa nos dias atuais com o Miguel, um fundamentalista religioso que, ao descobrir que o irmão é gay, resolve sair de casa. Na casa nova, Miguel se depara com um caderno rasgado, mas se surpreende ao saber que é o relato de uma mulher que viveu durante a ditadura militar. O rapaz resolve procurar esta mulher e encontra a filha dela, Anita. A moça leva o rapaz até sua mãe, Vilma, que começa a relatar para ele uma história de amor recheada de emoção, reviravoltas e aventuras, capaz de mostrar que todas as formas de amor valem a pena.


Você já tem um público formado e bastante fiel. Além destes livros você já participou de coletâneas? Prêmios literários?


literatura-lesbica-4Agradeço muito às pessoas que gostam e acompanham o meu trabalho, sem elas, nada seria possível. Em 2011 tive o privilégio de ser selecionada para a primeira coletânea de literatura lésbica da América Latina. O livro Voces para Lilith só tem na versão em espanhol e lá as leitoras encontram o meu conto Al encontro del amor.


Recentemente tive o prazer de ter um conto selecionado para o livro Orgias Literárias da Tribo, uma coletânea fantástica que abarca histórias de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, uma verdadeira miscelânea contra o preconceito. Organizada pelo escritor e bacharel em psicologia Fabrício Viana e publicado pela Editora Orgástica, uma editora nova com diversos livros com temática LGBT.


Muita gente tem curiosidade: como é o processo de escrita? Você tem horários fixos para escrever? Ou lugares? O que mais te inspira a escrever?


Eu gosto de escrever à noite, quando o silêncio toma conta da casa e os pensamentos começam a vibrar dentro da cabeça, mas não sou muito de impor horários. Os textos mais legais são escritos no acaso, naquele momento em que você, às vezes, nem pode escrever, mas dá uma paradinha no que está fazendo e rabisca um pedaço qualquer de papel. Sempre carrego comigo um bloco e um lápis, gosto de escrever de lápis. O Diário de uma garota atrevida, por exemplo, escrevi inteiro em um caderno, depois passei para o computador.


literatura-lesbica-5Além destes livros, tem outros projetos literários? Pretende escrever mais? Se sim, sobre o que?


Sim, tenho um projeto que inclui todas as publicações que fiz para a internet. Pretendo reescrever as histórias e publicá-las em livro. Além de dar continuidade ao segundo e terceiro livros do Diário de uma garota atrevida (é uma trilogia). Recentemente, um volume dois do Aquele dia junto ao mar começou a rondar os meus pensamentos, estou amadurecendo a ideia. Rs...


Com você vê a literatura lésbica nos dias atuais?


Vejo com ótimos olhos. Penso que a literatura lésbica está crescendo e sendo aperfeiçoada, principalmente pelo fato de algumas pessoas estarem saindo do armário (autoras e leitoras). A gente existe e precisamos falar isso. Ter romances lésbicos na estante de casa tem se tornado cada vez mais frequente. Percebo que existe um público que quer se reconhecer nas histórias e outro que quer saber mais como é o cotidiano das lésbicas. Vejo isso nas mensagens que recebo e fico muito feliz.


Para quem desejar ter acesso as suas obras, onde podem adquirir? Tem algum website específico?


Quem quiser conferir o meu trabalho pode adquirir todos os meus livros pelo meu site, www.karinadias.com.br, inclusive, eu faço questão de assinar todos os livros que entrego.


Obrigado Karina por sua entrevista. Esperamos que seja esclarecedor para muitas pessoas. Que as meninas "saiam do armário", mostrem a cara, construam e promovam a "cultura de meninas para meninas" na sociedade. Sem, é claro, excluir os meninos que gostam de meninos, meninas que gostam de meninos e todas as outras expressões naturais da sexualidade humana.

Leitores, obrigada por ter dedicado um pouquinho do seu tempo para ler esta entrevista. Através da literatura tentamos contribuir para um mundo mais justo, com menos preconceito, por isso, a sua participação é fundamental, vocês são as nossas maiores inspirações. Quem puder, entra no meu site pessoal, divulga esta entrevista, compre ou pegue emprestado meus livros. Nós, escritores, só existimos porque existem leitores que levam nossas obras literárias para dentro de casa ou dentro de seus corações. Obrigada pela oportunidade.





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