terça-feira, 23 de junho de 2015

Romance Gay: Fabrício Viana fala sobre seu quarto livro chamado Theus

romancegayReproduzimos aqui a entrevista que nosso colaborador Fabrício Viana (foto ao lado) deu ao blog Entre Homens. Não conhece Viana? Ele já escreveu diversos livros com temática LGBT, entre eles o famoso O Armário (sobre a homossexualidade), o livro Ursos Perversos (contos eróticos gays) e o Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada que conta com a colaboração de mais 10 autores). Agora, Viana, que é bacharel em psicologia com pós em marketing, lança seu romance com temática gay chamado Theus: do fogo à busca de si mesmo. Um livro de ficção que aborda a falsa cura da homossexualidade, relações abertas e outros temas pra lá de polêmicos.


Mac: Depois do tremendo sucesso que foi "O Armário", o público esperou durante um certo tempo por algo emblemático no mesmo estilo. Aí você lança "Theus", que te garanto tão ou mais emblemático que o até então insuperável O Armário. De onde vem essa inspiração. Algum caso real?


Fabrício Viana: Sim, quando pesquisei para escrever O Armário em 2006 deparei-me com vários grupos religiosos e pessoas que pregavam a “cura espiritual da homossexualidade”, um destes grupos aqui no Brasil era o MOSES – Movimento pela Sexualidade Sadia. Felizmente hoje, após 15 anos de existência, fechou. Mas na época eu encontrei depoimentos de pessoas que se submeteram as palestras de exgays, workshops e tudo o que podemos imaginar para a “conversão sexual”. Eram depoimentos tristes e, na minha visão dentro da psicologia, desumano. Quando imaginei escrever o livro Theus, mesmo sendo uma obra de ficção, queria narrar alguma história deste tipo. O mais interessante é que hoje, embora tenhamos sites, blogs e estudos sobre a homossexualidade de forma mais fácil, grupos como estes ainda existem e são muitos. Não só no Brasil mas também no exterior. A maioria deles, depois de algum tempo, acabam sendo desmascarado como o famoso Exodus. O problema é que até isso acontecer, muita gente acaba se perdendo com eles e tendo uma vida bastante conturbada: afinal, como explico no livro O Armário, os desejos homossexuais não somem assim do nada, quanto mais reprimido, mais forte ele fica.


livro lgbtMac: Os problemas de um jovem que descobre a sexualidade em meio a uma comunidade pequena, com ideias conservadoras e homofóbicas, já são assuntos que identificam muitos, agora essa pitada religiosa foi o sal da terra. Gostaria que falasse um pouco sobre isso.


Fabrício Viana: A religião sempre foi um problema absurdo para muitos homossexuais. Embora seja possível hoje um homossexual ser aceito plenamente em algumas delas, especialmente nas igrejas inclusivas (cito várias delas no livro Theus), ela ainda é um retrocesso não só na questão homossexual mas na própria sexualidade humana. Theus foi escrito para mexer com este conteúdo psicológico: conflitos entre a religião e a homossexualidade. Mostrar possíveis saídas. Ainda que seja uma obra de ficção.


Mac: Cura Gay e charlatanismo estão intimamente ligadas. Seu livro desmarcara de vez esse "pretensos profetas da verdade". Alguma pesquisa para retratar com tanta propriedade o que está pro trás da cortina desses "Sepulcros caiados"

Fabrício Viana: Sim, tudo foi fruto das minhas pesquisas. Hoje, com a facilidade da Internet, eu esbarro em livros, sites e blogs onde muita coisa parece ser “pró-homossexualidade” mas que, se você observar com cautela, condenam ferozmente a homossexualidade. Um dos meus leitores disse na minha fanpage que sua mãe lhe deu o livro “Saindo do Armário” e que, ao ler, eram depoimentos de ex-gays tentando convencê-lo a deixar o "homossexualismo" de lado. Nós, de fato, não temos noção da quantidade de material que surge querendo promover a "cura religiosa da homossexualidade". Theus entra nesta questão, justamente para levar o "fogo" (conhecimento) aos meus leitores.


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M
ac: Junior ter se mantido puro, apesar de ter sofrido tantas amarguras e "safadezas" mostra um lado belo do ser humano, que não necessariamente tem que se render às tormentas. Seu lado de psicólogo se manifestou nessa construção do personagem?


Fabrício Viana: Sim. Totalmente. Apesar de ter escrito e publicado até agora quatro livros (muito não?), não me considero uma pessoa literária: não cursei letras, não tenho paciência para a alta literatura e assuntos relacionados. Mas meus textos tem sempre um conteúdo psicológico muito forte e que pode até mesmo incomodar leitores desavisados. A maioria, felizmente, gostam do que eu escrevo por serem textos incomuns: recebi elogios recentes, por exemplo, do meu livro “Ursos Perversos”. Mesmo sendo uma obra de contos eróticos gays pesados, no meio das estórias eu indico livros reais e remeto o leitor à muitas reflexões. É incrível, mas este é o meu estilo. Claro que por conta da minha formação em psicologia ligadas ao meu prazer, que é escrever.


Mac: Por falar nisso, uma passagem muito forte do seu livro é o diálogo entre Junior e Leandro sobre relações entre casais, culminando em relações abertas. Fiquei curioso sobre a pesquisa desenvolvida sobre o tema. Quando teremos esse resultado?


Fabrício Viana: Essa pesquisa eu venho realizando há anos nas horas vagas. De fato, eu não sei quando irei terminar. Mas pretendo em até três anos. Os diálogos dentro do Theus sobre relacionamento aberto é muito rico, instigando o leitor a querer conhecer mais deste universo. Eu só não escrevi mais sobre ele no Theus para não sair da história. Mas gostei de colocar lá pois mesmo não tendo muitos adeptos (e, de fato é algo que não serve para muitos), acho que leva meus leitores a "pensarem fora da caixa", ampliando a percepção romântica e restrita que temos sobre nossas relações afetivas e sexuais. Como eu disse, todo este lado psicológico e comportamental são características dos meus textos. Esse é mesmo meu maior diferencial.


Mac: Durante todo seu livro, aparecem sequências de números aparentemente sem sentido, mas que ao final, surpreende a todos como muito revelador (não vou contar, leiam e tenham uma surpresa!). Essa ideia foi genial, além de original, ao mesmo tempo deve ter lhe dado muito trabalho para escrever as sequências. De onde tirou tal ideia, e qual a repercussão - se é que já teve feedback - nos leitores?


Fabrício Viana: Eu conheci um rapaz, há anos, que morava no centro, tomava antidepressivos e passava o dia rabiscando cálculos matemáticos em cadernos. Foi um lance rápido que tivemos. Não lembro seu nome e nem seu rosto. Sou péssimo de memória. Mas eu uni essas características peculiares a uma brincadeira que eu mesmo fazia quanto mais novo. Desta mistura nasceram os números “aparentemente sem sentido”. E eu espero que muitos leitores se emocionem quando descobrirem, nas últimas páginas do Theus, tudo o que isso representa. Como eu disse, estes números estão espalhados por todo o livro. É mesmo  uma ideia original. Até hoje não vi nada parecido em livro algum e que, se o leitor tiver paciência, poderá ter acesso a um conteúdo adicional e ficar surpreso com algumas coisas (se tiverem paciência para decifrar os códigos, saberão, por exemplo, que a Michele sabia de tudo! Desde o início!). Repercussão? Acredito que terá muita. Mas precisamos aguardar. De todos os meus livros, Theus promete ser o de maior sucesso.


Mac: Por fim, uma pergunta pessoal que eu gostaria de fazer, mas garanto que centenas de seus leitores também desejam: já tem projeto de um novo livro, ou é muito cedo para pensar nesse assunto?

Fabrício Viana: Não. Theus me desgastou muito. Me sinto, neste momento, triturado. Parece que fui espremido. Não é uma sensação boa. Mexeu com muitos conteúdos. E nem todos são meus, mas no ato de escrever, por ter cursado teatro stanislavskiano por alguns anos, eu senti tudo intensamente para ser o mais autêntico possível. Por exemplo, a questão do abuso sexual sofrido pela personagem Maiara. Eu nunca sofri abuso em minha vida, falaria abertamente se tivesse, mas eu escrevi com tanta emoção que fiquei muito indignado com o pai dela. Mais ainda por ele ser pastor. Porém, tudo ainda é muito recente e nunca devemos dizer nunca quando se trata de escrever um novo livro. Afinal, tem muita coisa no Theus que vai surpreender o leitor, como os números matemáticos produzidos pelo personagem Gabriel e que estão espalhados por todo o livro: capa, capítulos e contracapa. Me da até vontade de chorar quando eu lembro do que eu escrevi. Afinal, também sou humano. Por isso espero que Theus agrade muitas pessoas, e os façam querer conhecer meus outros trabalhos literários.


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Da Redação: E quem tiver interesse em comprar seus livros, onde consegue? Em qualquer livraria?


Fabrício Viana: Não. Meus livros não são vendidos em livrarias. Por opção e por ter começado minha carreira literária de forma independente, meus livros só são comprados on-line no meu site pessoal www.fabricioviana.com ou no site da Editora Orgástica www.editoraorgastica.com. Tanto em um, quanto no outro, dá para pagar com boleto bancário, cartão de crédito ou transferência bancária. O sistema que os sites usam é o PagSeguro ou PayPal. Resumindo, a transação eletrônica é segura e se os livros não forem entregues em até 14 dias, o PagSeguro devolve o dinheiro ao comprador. Para quem mora em São Paulo e tem muita dificuldade para comprar on-line, só existe um lugar que vende meus livros: na banca de Jornal MastroRosa (Rua Doutor Vieira de Carvalho, 10 - Ao lado da Praça da República, horário comercial). Todos os meus quatro livros são vendidos lá (e o dono da banca aceita dinheiro, débito ou crédito).


Da redação: Para finalizar, é possível ler algum capítulo do livro Theus? Ele tem fanpage?


Fabrício Viana: Sim, claro! Disponibilizei os 5 primeiros capítulos do Theus para leitura gratuita. Porém, precisa fazer um breve cadastro para receber o arquivo por e-mail. O link para se cadastrar e receber os 5 primeiros capítulos é este aqui: http://goo.gl/forms/grz8XyKwM3 Já a comunidade do livro existe no Skoob e no Facebook.


Da redação: Algo que queira complementar?


Fabrício Viana: Apenas agradecer. Todo este meu trabalho literário é fruto de um árduo trabalho que venho realizando há anos. Cada vez tenho conquistado mais leitores e amigos. E eu só tenho a agradecer. De verdade.


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